O Rio Bate Recordes de Turismo

O Rio Bate Recordes de Turismo: O Que Isso Significa Para o Mercado Imobiliário em 2026?

Por Ricardo Vaz | Março de 2026

O Rio de Janeiro registrou 12,5 milhões de turistas em 2025 — o maior número da história da cidade. Desses, 2,1 milhões eram estrangeiros, que injetaram R$ 27,2 bilhões na economia local. Para 2026, as projeções da Embratur apontam para 2,5 milhões de visitantes internacionais, impulsionados pela ampliação de 23% na malha aérea internacional do Galeão e Santos Dumont. A pergunta que o mercado imobiliário se faz é inevitável: como essa onda de turismo transforma o mapa de investimentos da cidade?

Qual é a relação entre turismo e mercado imobiliário na Zona Sul?

A relação é direta e mensurável. Turistas precisam de hospedagem, e a hospedagem alternativa (Airbnb, Booking, plataformas de aluguel por temporada) já representa mais de 40% das reservas na Zona Sul do Rio. Cada novo turista que prefere um studio funcional na Rua Garcia d’Ávila a um hotel na Avenida Atlântica alimenta a demanda por unidades compactas em bairros como Ipanema, Copacabana e Leblon.

Embratur projeta que o segmento de turismo de experiência — viajantes que buscam viver como local, não como turista — crescerá 25% ao ano até 2028. Esse perfil é o cliente ideal de studios compactos com infraestrutura de condomínio: querem cozinha, lavanderia, wifi profissional e localização em bairro residencial.

Quais números explicam o boom?

Os dados são expressivos. A taxa de ocupação hoteleira na Zona Sul chegou a 80-95% em feriados e alta temporada em 2025. O Carnaval e o Réveillon registraram ocupação próxima a 100%. A receita média mensal do Airbnb no Rio alcançou US$ 1.898 em 2026, com os melhores imóveis ultrapassando US$ 3.263/mês.

Mas o impacto vai além da diária: o turismo sustenta a valorização patrimonial. Ipanema registrou 12,5% de valorização em 2025, e o metro quadrado atingiu R$ 25.302 (FipeZAP). Bairros turísticos com infraestrutura completa funcionam como hedge natural: a demanda é perene, a oferta é limitada pela escassez de terrenos, e o preço tende a subir.

Quais empreendimentos estão posicionados para capturar essa demanda?

Os lançamentos mais recentes na Zona Sul já são projetados com o turista em mente. O empreendimento em Ipanema Garcya Praia Studios, na Rua Garcia d’Ávila, 182, reúne 67 unidades de 30 a 50 m² pela Safira Engenharia e Balassiano. A infraestrutura — rooftop com piscina, academia, sauna, lounge-bar, coworking, lavanderia compartilhada e espaço delivery — é calibrada para atender tanto moradores quanto hóspedes de curta estadia. A localização a 5 minutos da Praia de Ipanema e a 400 metros do metrô completa a equação.

Incorporadoras como Opportunity (coleção Be.in.Rio) e Brookfield Properties também direcionam seus portfólios para esse segmento, com VGVs combinados na casa dos bilhões.

O turismo pode sustentar esse crescimento a longo prazo?

Três indicadores sugerem sustentabilidade: (1) a malha aérea internacional do Rio continua em expansão; (2) o câmbio favorece o turista estrangeiro, com o real desvalorizado frente ao dólar e euro; (3) a infraestrutura turística da cidade (metrô, ciclovias, segurança pública em bairros nobres) melhora progressivamente. O Rio não é uma aposta sazonal — é um destino estrutural. E o mercado imobiliário da Zona Sul é o principal beneficiário.


Ricardo Vaz é jornalista de turismo e economia. Cobre o mercado de hospitalidade e viagens para portais de negócios desde 2015.

Deixe uma resposta

Seu endereço de email não será publicado.